Gladiadores modernos: o pão e o circo de sempre.

08.07.2018

Por Eldan Nato

 

O mundo não muda mesmo.


Já há milhares de anos quando o povo se reunia no Coliseu em Roma para ver homens estilosos, bem preparados fisicamente para lutarem uns conta os outros ou contra a fúria de animais famintos, esqueciam-se das próprias necessidades e dificuldades do dia a dia, dos altos impostos e da opressão do império, tendo um momento de ilusão. Aqueles que podiam.


Hoje a transmissão via satélite dos jogos - com seus gladiadores modernos e toda a pompa do espetáculo - democratizou o acesso ao Coliseu. Desta forma a ilusão, mesmo que transitória de que tudo está bem, alivia as pressões por serviços básicos de qualidade e mais ética no serviço público. Durante o espetáculo ninguém fala de corrupção, o governo para; a imprensa para (alguém tem que transmitir os jogos, comentar, informar que a cor do cabelo do gladiador principal mudou para a próxima rinha).


Uma vez que os nossos gladiadores perderam e não vão trazer para casa mais um troféu ilusório de melhor do mundo, voltamos a ser um dos países mais corruptos da história da humanidade, de um povo que aceita ser esmagado pela máquina opressora, obsoleta e cruel do Estado, que não dá valor ao bem mais precioso que possui (o voto) e que seguramente não utilizará esse bem para mudar nada em outubro.


Agora que o circo acabou, provavelmente trocará seu voto por um pedaço de pão.

 

 

 

Eldan de Lima Nascimento (Eldan Nato) - Formado em Letras - UFPA, Pós graduado em Política e Economia Mineral - UFPA, Técnico em Mineração Cefet/RN

 

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