A UTÓPICA CAMPANHA, A DISTOPIA NO GOVERNO, E O SILÊNCIO...

31.08.2017

A busca pela utopia nos discursos acalorados da campanha eleitoral, as ideias para a movimentação econômica do município, as matrizes em potencial, porto seco, atração de indústrias, entre outras grandes soluções, tudo deixa de ser discutido um dia depois do último palanque desfeito. A briga pra saber quem tem o melhor projeto termina, e a realidade crua dos problemas urbanos aparece novamente no apagar das luzes e no fechar das torneiras monetárias das ricas campanhas.

 

Termina-se o governo vencido, inicia-se o outro – a esperança das oportunidades – mas passado o primeiro semestre eis aí já alguns dizendo: – eu te falei!

 

Quando o prefeito atual ganhou a eleição para o Morro dos Ventos eu fui o primeiro a me calar e esperar. Em uma democracia deve-se dar a chance ao eleito de demonstrar seu discurso na prática. Mas, antes de me calar adverti: “Darci já teve seus oito anos de governo. Não tenho grandes expectativas quanto aos próximos quatro anos. Se repetir seu estilo de governar, deverá passar sem oposição, mas também sem grandes obras e grandes desafios. Ao final dos quatro anos teremos uma cidade, no máximo, igual à que recebeu, e por estar igual, estará pior, pois a população não será a mesma, nem o tamanho dos problemas”. Foi esta a minha advertência.

 

Agora passados sete meses de mandato volto a falar: até aqui o atual governo segue à risca seu estilo anterior. Sem oposição e sem planejamento. Grandes projetos alardeados no início do mandato seguem sua marcha lenta, pra não dizer que estão parados. Mas uma coisa está indo de vento em polpa: as oportunidades. Sim! Porque para quem conhece a prática política comum, o bordão de campanha do candidato nunca convenceu que o prefeito tiraria da cartola oportunidades para o povo. Mas elas existem de fato e já foram todas preenchidas. Os pequenos conflitos na bolsa de empregos da cidade estão comprovando: não há vagas!

 

E o milagre é que não há quem diga que o governo Darci está atendendo as expectativas de quem o elegeu, mas também não há quem diga que não está. Nenhuma nota na imprensa, nem reportagem. A nenhuma mãe de família sem água são dados holofotes, câmera e microfone, para demonstrar seu voto arrependido.

 

Profissionais da imprensa, licenciados ou não, fazem parte do governo. Vereadores eleitos pela oposição se calam ou se limitam à velha fala teatral: “unidos fazemos mais pelo nosso povo”. A simbiose entre os poderes cresce, e dessa “união” só existe um resultado: falta de fiscalização. E se nem o quarto poder fizer mais esse papel, o governo Darci está garantido não só para este, mas se a reeleição ainda for possível, para o próximo mandato também. E depois não digam que eu não avisei.

 

 

 

Eldan de Lima Nascimento (Eldan Nato) - Formado em Letras - UFPA, Pós graduado em Política e Economia Mineral - UFPA, Técnico em Mineração Cefet/RN

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